domingo, 22 de março de 2009

RELAÇÕES ECOLÓGICAS

RELAÇÕES ECOLÓGICAS

Podemos classificar as relações entre seres vivos inicialmente em dois grupos: as intra-específicas, que ocorrem entre seres da mesma espécie, e as interespecíficas, entre seres de espécies distintas. É comum diferenciar-se as relações em harmônicas ou positivas e desarmônicas ou negativas. Nas harmônicas não há prejuízo para nenhuma das partes associadas, e nas desarmônicas há.

Antes de tratarmos de cada tipo de relação entre os seres vivos, iremos esclarecer o significado de dois termos: habitat e nicho ecológico.

Noções sobre habitat e nicho ecológico

É clássica a analogia que compara o habitat ao endereço de uma espécie, e o nicho ecológico à sua profissão. Se você quer encontrar indivíduos de uma certa espécie no ambiente natural, deve procurá-los em seu habitat. As observações que você fizer sobre a "maneira como ele vivem", serão indicações do nicho ecológico.

O pescador experiente sabe onde encontrar um certo tipo de peixe, que isca deve usar, se deve afundá-la mais ou menos, em que época do ano e em qual período do dia ou da noite ele terá maior chance de sucesso. Ele deve saber muito, portanto, do habitat e nicho ecológico dos peixes que mais aprecia.

  1. RELAÇÕES INTRA-ESPECÍFICAS HARMÔNICAS

Relações que ocorrem em indivíduos da mesma espécie, não existindo desvantagem nem benefício para nenhuma das espécies consideradas. Compreendem as colônias e as sociedades.

a) Colônias

Agrupamento de indivíduos da mesma espécie que revelam profundo grau de interdependência e se mostram ligados uns aos outros, sendo-lhes impossível a vida quando isolados do conjuntos, podendo ou não ocorrer divisão do trabalho.

As cracas, os corais e as esponjas vivem sempre em colônias. Há colônias com divisão de trabalho. É o que podemos observar com colônias de medusas de cnidários (caravelas) e com colônias de Volvox globator (protista): há alguns indivíduos especializados na reprodução e outros no deslocamento da colônia (que é esférica) na água.

b) Sociedades

As sociedades são agrupamentos de indivíduos da mesma espécie que têm plena capacidade de vida isolada mas preferem viver na coletividade. Os indivíduos de uma sociedade têm independência física uns dos outros. Pode ocorre, entretanto, um certo grau de diferenciação de formas entre eles e de divisão de trabalho, como sucede com as formigas, as abelhas e os térmitas ou cupins.

Nos diversos insetos sociais a comunicação entre os diferentes indivíduos é feita através dos ferorônios - substâncias químicas que servem para a comunicação. Os ferormônios são usados na demarcação de territórios, atração sexual, transmissão de alarme, localização de alimento e organização social.

  1. CONPETIÇÃO INTRA-ESPECÍFICAS

É a relação intra-específica desarmônica, entre os indivíduos da mesma espécie, quando concorrem pelos mesmos fatores ambientais, principalmente espaço e alimento. Essa relação determina a densidade das populações envolvidas.

a) Canibalismo

Canibal é o indivíduo que mata e come outro da mesma espécie. Ocorre com escorpiões, aranhas, peixes, planárias, roedores, etc. Na espécie humana, quando existe, recebe o nome de antropofagia (do grego anthropos, homem; phagein, comer).

  1. RELAÇÕES INTERESPECÍFICAS HARMÔNICAS

Ocorrem entre organismos de espécies diferentes. Compreendem a protocooperação, o mutualismo, o comensalismo e inquilinismo.

a) Comensalismo

É uma associação em que uma das espécies — a comensal — é beneficiada, sem causar benefício ou prejuízo ao outro. O termo comensal tem interpretação mais literal: "comensal é aquele que come à mesa de outro".

A rêmora é um peixe dotado de ventosa com a qual se prende ao ventre dos tubarões. Juntamente com o peixe-piloto, que nada em cardumes ao redor do tubarão, ela aproveita os restos alimentares que caem na boca do seu grande "anfitrião".

A Entamoeba coli é um protozoário comensal que vive no intestino humano, onde se nutre dos restos da digestão.

b) Inquilinismo

É a associação em que apenas uma espécie (inquilino) se beneficia, procurando abrigo ou suporte no corpo de outra espécie (hospedeiro), sem prejudicá-lo.

Trata-se de uma associação semelhante ao comensalismo, não envolvendo alimento. Exemplos:

  • Peixe-agulha e holotúria

O peixe-agulha apresenta um corpo fino e alongado e se protege contra a ação de predadores abrigando-se no interior das holotúrias (pepinos-do-mar), sem prejudicá-los.

  • Epifitismo

Epífias (epi, em cima) são plantas que crescem sobre os troncos maiores sem parasitá-las. São epífitas as orquídeas e as bromélias que, vivendo sobre árvores, obtêm maior suprimento de luz solar.

c) Mutualismo

Associação na qual duas espécies envolvidas são beneficiadas, porém, cada espécie só consegue viver na presença da outra. Entre exemplos destacaremos.

  • Liquens

Os liquens constituem associações entre algas unicelulares e ceros fungos. As algas sintetizam matéria orgânica e fornecem aos fungos parte do alimeno produzido. Eses, por sua vez, retiram água e sais minerais do substrato, fornecendo-os às algas. Além disso, os fungos envolvem com suas hifas o grupo de algas, protegendo-as contra desidratação.

  • Cupins e protozoários

Ao comerem madeira, os cupins obtêm grandes quantidades de celulose, mas não conseguem produzir a celulase, enzima capaz de digerir a celulose. Em seu intestino existem protozoários flagelados capazes de realizar essa digestão.Assim, os protozoários se valem em parte do alimento do inseto e este, por sua vez, se beneficia da ação dos protozoários. Nenhum deles, todavia, poderia viver isoladamente.

  • Ruminates e microorganismos

Na pança ou rúmen dos ruminantes também se encontram bactérias que promovem a digestão da celulose ingerida com a folhagem. É um caso idêntico ao anterior.

  • Bactérias e raízes de leguminosas

No ciclo do nitrogênio, bactérias do gênero Rhizobium produzem compostos nitrogenados que são assimilados pelas leguminosas, por sua vez, fornecem a essas bactérias a matéria orgânica necessária ao desempenho de suas funções vitais.

  • Micorrizas

São associações entre fungos e raízes de certas plantas, como orquídeas, morangueiros, tomateiros, pinheiros, etc. O fungo, que é um decompositor, fornece ao vegetal nitrogênio e outros nutrientes minerais; em troca, recebe matéria orgânica fotossintetizada.

d) Protocooperação

Trata-se de uma associação bilateral, entre espécies diferentes, na qual ambas se beneficiam; contudo, tal associação não é obrigatória, podendo cada espécie viver isoladamente.

A atuação dos pássaros que promovem a dispersão das plantas comendo-lhes os frutos e evacuando as suas sementes em local distante, bem como a ação de insetos que procuram o néctar das flores e contribuem involuntariamente para a polinização das plantas são consideradas exemplos de protocooperação. Como exemplos citaremos:

  • Caramujo paguro e actíniasmut1.jpg (29601 bytes)

També conhecido como bernardo-eremita, trata-se de um crustáceo marinho que apresenta o abdomên longo e mole, desprotegido de exoesqueleto. A fim de proteger o abdomên, o bernardo vive no interior de conchas vazias de caramujos. Sobre a concha aparecem actínias ou anêmonas-do-mar (celenterados), animais portadores de tentáculos urticantes. Ao paguro, a actínia não causa qualquer dano, pois se beneficia, sendo levada por ele aos locais onde há alimento. Ele, por sua vez, também se beneficia com a eficiente "proteção" que ela lhe dá.

  • Pássaro-palito e crocodilo

O pássaro-palito penetra na boca dos crocodilos, nas margens do Nilo, alimentando-se de restos alimentares e de vermes existentes na boca do réptil. A vantagem é mútua, porque, em troca do alimento, o pássaro livra os crocodilos dos parasitas.

Obs.: A associação ecológica verificada entre o pássaro-palito e o crocodilo africano é um exemplo de mutualismo, quando se considera que o pássaro retira parasitas da boca do réptil. Mas pode ser também descrita como exemplo de comensalismo; nesse caso o pássaro atua reirando apenas restos alimentares que ficam situados entre os dentes do crocodilo.

  • Anu e gado

O anu é uma ave que se alimenta de carrapatos existentes na pele do gado, capturando-os diretamente. Em troca, o gado livra-se dos indesejáveis parasitas.

e) Esclavaismo ou sinfilia

É uma associação em que uma das espécies se beneficia com as atividades de outra espécie. Lineu descreveu essa associação com certa graça, afirmando: Aphis formicarum vacca (o pulgão, do gênero Aphis, é a vaca das formigas).

Por um lado, o esclavagismo tem características de hostilidade, já que os pulgões são mantidos cativos dentro do formigueiro.Não obstante, pode-se considerar uma relação harmônica, pois os pulgões também são beneficiados pela facilidade de encontrar alimentos e até mesmo pelos bons tratos a eles dispensados pelas formigas (transporte, proteção, etc). Essa associação é considerada harmônica e um caso especial de protocooperação por muitos autores, pois a união não é obrigatória à sobrevivência.

  1. COMPETIÇÃO INTERESPECÍFICAS

Relações interespecíficas desarmônicas entre espécies diferentes, em uma mesma comunidade, apresentam nichos ecológicos iguais ou muito semelhantes, desencadeando um mecanismo de disputa pelo mesmo recurso do meio, quando este não é suficiete para as duas populações.

Esse mecanismo pode determinar conrole da densidade das duas populações que estão interagindo, extinção de uma delas ou, ainda, especialização do nicho ecológico. Fig. p 9 - meta

a) Amensalismo ou Antibiose

Relação no qual uma espécie bloqueia o crescimento ou a reprodução de outra espécie, denominada amensal, através da liberação de substâncias tóxicas. Exemplos:

  • Os fungos Penicillium notatum eliminam a penicilina, antibiótico que impede que as bactérias se reproduzam.
  • As substâncias secretadas por dinoflagelados Gonyaulax, responsáveis pelo fenômeno "maré vermelha", podem determinar a morte da fauna marinha.
  • A secreção e eliminação de substâncias tóxicas pelas raízes de certas plantas impede o crescimento de outras espécies no local.

b) Parasitismo

O parasitismo é uma forma de relação desarmônica mais comum do que a antibiose. Ele caracteriza a espécie que se instala no corpo de outra, dela retirando matéria para a sua nutrição e causando-lhe, em conseqüência, danos cuja gravidade pode ser muito variável, desde pequenos distúrbios até a própria morte do indivíduo parasitado. Dá-se o nome de hospedeiro ao organismo que abriga o parasita. De um modo geral, a morte do hospedeiro não é conveniente ao parasita. Mas, a despeito disso, muitas vezes ela ocorre.

c) Predatismo

Predador é o indivíduo que aaca e devora outro, chamado presa, pertencente a espécie diferente. Os predadores são geralmente maiores e menos numerosos que suas presas, sendo exemplificadas pelos animais carnívoros.

As duas populações - de predadores e presas - geralmente não se extinguem e nem entram em superpopulação, permanecendo em equilíbrio no ecossistema. Para a espécie humana, o predatismo, como fator limiante do crescimento populacional, tem efeito praticamente nulo.

Formas especiais de adaptações ao Predatismo

  • Mimetismo

Mimetismo é uma forma de adaptação revelada por muitas espécies que se assemelham bastante a outras, disso obtendo algumas vantagens.

A cobra falsa-coral é confundida com a coral-verdadeira, muito temida, e, graças a isso, não é importunada pela maioria das outras espécies. Há mariposas que se assemelham a vespas, e mariposas cujo colorido lembra a feição de uma coruja com olhos grandes e brilhantes.

  • Camuflagem

Camuflagem é uma forma de adaptação morfológica pela qual uma espécie procura confundir suas vítimas ou seus agressores revelando cor(es) e/ou forma(s) semelhante(s) a coisas do ambiente. O padrão de cor dos gatos silvestres, como o gato maracajá e a onça, é harmônico com seu ambiente, com manchas camufIando o sombreado do fundo da floresta. O mesmo se passa com lagartos (por exemplo, camaleão), que varia da cor verde das folhas à cor marrom do substrato onde ficam. Os animais polares costumam ser brancos, confundindo-se com o gelo. O louva-a-deus, que é um poderoso predador, se assemelha a folhas ou galhos.

  • Aposematismo

Aposematismo é o mesmo que coloração de advertência. Trata-se de uma forma de adaptação pela qual uma espécie revela cores vivas e marcantes para advertir seus possíveis predadores, que já a reconhecem pelo gosto desagradável ou pelos venenos que possui.

Muitas borboletas exibem os chamados anéis miméticos, com cores de alerta, que desestimulam o ataque dos predadores.

Uma espécie de coloração de advertência bem conspícua é Dendrobates Ieucomelas, da Amazônia, um pequeno sapo colorido com listras pretas e amarelas e venenoso.

TABELA DE REPRESENTAÇÃO DAS RELAÇÕES INTERESPECÍFICAS

TIPOS DE RELAÇÕES

Espécies reunidas

Espécies separadas

A

B

A

B

Inquilinismo

+

0

0

0

Comensalismo

+

0

0

0

Mutualismo

+

+

–

–

Protocooperação

+

+

0

0

Amensalismo

0

–

0

0

Predatismo

+

–

–

0

Competição

–

–

0

0

Parasitismo

+

–

–

0

0: espécies cujo desenvolvimento não é afetado

+: espécie beneficiada cujo desenvolvimento torna-se possível ou é melhorado

–: espécie prejudicada que tem seu desenvolvimento reduzido.

Conceito De Espécie

Conceito de Espécie

Alessandro Rapini – UEFS

Espécie é a unidade básica da biologia. O esperado, portanto, seria um conceito objetivo como as medidas da física ou os elementos da química. A natureza e a definição de espécie, no entanto, continuam entre os assuntos mais discutidos e controversos da sistemática. Existem vários livros debatendo o tema e aparentemente não existe um consenso. Existem essencialmente cinco posições sobre o Conceito de Espécie:

1) Todos os conceitos fazem parte de um único conceito

2) Todos os conceitos são subsidiários ou variações de um único conceito

3) O conceito de espécie difere conforme o grupo em questão (pluralista)

4) Uma espécie deve preencher apenas alguns dos critérios de Espécie (politética)

5) A maioria, no entanto, acha que controvérsias teóricas não interferem na prática taxonômica.

Será que não?

O objetivo dessa palestra é definir Espécie.

Inicialmente, é necessário responder a questão anterior. Será que não?

Me parece que sim. As divergências teóricas influenciam a prática taxonômica. Por exemplo, dois levantamentos das aves do México foram realizados utilizando diferentes Conceitos de Espécie. O primeiro, realizado em 1993 pela União de Ornitólogos Americanos, utilizou o Conceito Biológico de Espécie e encontrou 101 espécies endêmicas do México. O segundo (Peterson & Navarro-Sigüenza 1999) utilizou o Conceito Filogenético de Espécie, e encontrou 249 espécies endêmicas do México. Além da discrepância no numero de espécies, foi notada também diferenças significativas na riqueza e na taxa de endemismo ao longo do território mexicano. Parece que essa discussão, então, não é meramente semântica; ela tem implicações práticas em campos da biologia que atualmente podem ser considerados prioritários, como o de conservação da diversidade.

Mayden (1997) listou mais de 20 Conceitos de Espécies. Não cabe discuti-los aqui, mas vale ressaltar que enquanto o Conceito Biológico (Grupo de organismos que se reproduzem gerando descendentes viáveis) tem maior apelo teórico, na prática, o mais utilizado é o Morfológico (“...grupos consistente e persistentemente distintos, e distinguíveis por meios ordinários”; Cronquist 1978, p. 15). Com a disseminação da cladística, houve um aumento de propostas incluídas dentro do Conceito Filogenético, e mais recentemente, existem tentativas para se estabelecer marcadores moleculares universais para a detecção de espécies, os chamados códigos de barra, algo semelhante ao Conceito de Genético.

Esses conceitos podem ser divididos em dois grupos: Os operacionais, como o Conceito Morfológico, estabelecem critérios e métodos para a delimitação de táxons, e os mecanicistas, como o Conceito Biológico, indicam mecanismos e processos evolutivos para a formação e manutenção das espécies. Na minha opinião, no entanto, nenhum deles traz uma definição exclusiva e universal de Espécie. Eu vou me propor aqui a defender o Conceito Taxonômico de Espécie. Esse conceito é freqüentemente confundido, especialmente com o Conceito Morfológico, e por isso eu propus uma definição explicita para Espécie dentro desse conceito.

Duas questões aparecem no âmago das discussões sobre conceito de espécie:

1) Espécies é especial? Ou seja, existe alguma diferença entre espécies e táxons caracterizados em outros níveis taxonômicos, como gênero, família, etc.?

Darwin, por exemplo, dizia que os limites eram arbitrários:

“Eu vejo o termo espécie como arbitrariamente designado por conveniência para um conjunto de indivíduos semelhantes entre si, e ele não essencialmente difere do termo variedade que é designado para formas menos distintas e mais flutuantes.” (Darwin 1859)

Atualmente, no entanto, a maioria das pessoas acha que as espécie diferem sim dos táxons classificados nas demais categorias taxonômicas: “Nós assumimos que espécies são entidades biológicas reais...” (Rieseberg & Broulillet 1994). Então vem a segunda questão:

2) Espécies são entidades reais?

Inicialmente, é necessário estabelecer dois conceitos filosóficos importantes. O conceito de Classes e o de Indivíduos; não confundir Classe com o nível taxonômico Classe, nem indivíduo com organismo. Uma Classe é um conceito atemporal; ela é composta por membros e definida pelas características compartilhadas por esses membros. A definição de uma classe é a sua intenção e seus membros são a extensão dessa intenção. A classe é portanto abstrata. Por exemplo, masculino. Os indivíduos, por outro lado, existem no tempo e no espaço, são compostos por partes e recebem um nome por batismo. Um indivíduo é real, não pode ser definido, mas sim caracterizado. Por exemplo, a UEFS é um indivíduo, ela existe no tempo e no espaço, tem um começo e um fim; os funcionários fazem parte dela.

É preciso distinguir também espécie enquanto Categoria Taxonômica (A Espécie) e espécie enquanto Táxon (uma espécie). Categoria Taxonômica é um dos níveis de classificação lineana no qual reconhecemos os táxons. Drosophila melanogaster, por exemplo, é uma espécie, táxon tratado no nível de Espécie. Ninguém discorda que a Espécie (Categoria Taxonômica) é uma classe. As controvérsias se referem às espécies. Seriam esses táxons distintos dos demais? Seriam eles realidades ou abstrações?

A definição da categoria taxonômica Espécie deve apresentar as propriedades comuns e exclusivas a todos os seus membros, ou seja, à todas as espécies. Voltamos então ao ponto nevrálgico porque aparentemente, não existe uma propriedade comum a todas e quaisquer espécies. Esse impasse me surgiu alguns anos atrás, quando eu conclui que espécies não existiam, pelo menos não da maneira que geralmente nos fazem acreditar. Foi então que eu procurei explorar o tema.

Atualmente eu defendo o Conceito Taxonômico de Espécie, também conhecido como Conceito Nominalista de Espécie. Esse conceito é freqüentemente confundido, o que me levou a propor uma definição mais explícita: ‘espécies são classes definidas por um conjunto de características e representadas por um binômio em latim válido conforme o código de nomenclatura’. Segundo essa definição, portanto, as espécies são classes de indivíduos e a Espécie é uma classe de classes cuja única propriedade comum reside no nome. Fica mais claro entender então a célebre frase de Davis & Heywood (1963): ‘...espécies são equivalentes apenas pela designação e não em virtude da natureza ou extensão de suas diferenciações evolutivas.’

Essa conclusão pode ser expandida para as demais categorias taxonômicas: táxons, independentes do nível de inclusão, são classes estabelecidas por convenção. Portanto, táxons são unidades não comparáveis biologicamente. A definição do Conceito Taxonômico de Espécie expõe esse fato claramente, amenizando um problema ainda maior que a arbitrariedade biológica dos táxons, que é ignorar essa arbitrariedade. Eu explorei algumas conseqüências dessa discussão num artigo publicado recentemente chamado ‘Classes ou Indivíduos? O Paradoxo da Sistemática Revisitado’

Monera

Monera era um reino biológico, que incluía todos os organismos vivos que possuíam uma organização celular procariótica. O termo Monera na classificação atual encontra-se obsoleto, e seus integrantes foram divididos entre os reinos Eubacteria e Archaea, no sistema de três domínios e/ou de seis reinos. Algumas vezes o reino Monera, era chamado de "Prokaryota" ou "Prokaryotae". Na influente classificação de Lynn Margulis, o termo Monera significava o mesmo que Procarionte, e deste modo continua sendo usada em muitos manuais e livros textos.

História taxonômica

Tradicionalmente os organismos foram classificados como animais, vegetais ou minerais, como no Systema Naturae de Linnaeus. Após a descoberta do microscópio, várias tentativas foram feitas para ajustar os micro-organismos nos reinos animal ou vegetal. Muitos desses organismos eram tratados como uma divisão do reino Plantae, chamada Schizophyta, e dividida em duas classes: Schizomycetes (bactérias, que eram consideradas "fungos") e Cyanophyta (algas azuis-esverdeadas ou cianofíceas). Em 1866, Ernest Haeckel propôs o sistema de três reinos que adicionou o grupo Protista como um novo reino que continha os organismos microscópicos.[1] Uma das oito divisões do novo reino Protista foi chamada de Moneres (Monera), e incluía todas as bactérias então conhecidas. O reino Protista de Haeckel também incluía diversos organismos eucariontes, o que comprometeu o reconhecimento do grupo nos anos seguintes.

Embora, a distinção entre procariontes e eucariontes seja creditada a uma publicação de Edouard Chatton, em 1925 (apesar dele não enfatizar esta distinção mais do que outros biólogos de seu tempo), ela não foi notada até 1962.[2] Barkley, em 1939, criou o reino Monera dividido-o entre arqueófitas (Archeophyta), hoje chamadas de Cyanobacteria, e esquizófitas (Schizophyta), um termo que foi muito usado pelos botânicos para se referir as bactérias. Roger Stanier e C. B. van Niel acreditavam que as bactérias (termo que na época não incluía as cianobactérias) e as algas cianofíceas tinham uma única origem, uma convicção que culminou no trabalho de Stainer de 1970, “Eu penso que é agora muito evidente que algas azuis-esverdeadas não são distinguíveis das bactérias por nenhuma característica fundamental em sua organização celular”.[3] Outros pesquisadores, como Ernst Pringsheim Jr., em 1949, suspeitavam de origens distintas para bactérias e algas cianofíceas. Em 1974, o Bergey's Manual publicou uma nova edição cunhando o termo cianobactéria para se referir as então algas cianofíceas ou algas azuis, marcando a aceitação deste grupo dentro dos Monera.[2]

Em 1969, Robert Whittaker, publicou o sistema de cinco reinos para a classificação dos seres vivos.[4] O sistema de Whitaker colocou quase todos os seres unicelulares ou no grupo procarionte Monera ou no grupo eucarionte Protista. Whitaker, entretanto, não acreditava que todos os seus reinos fossem monofiléticos.[2]

Em 1977, Carl Woese e George Fox demonstram que as arquéias (inicialmente chamadas de arqueobactérias) e bactérias não aparentam ser mais próximos um do outro do que dos eucariontes. Inicialmente muito controversa, a hipótese tem sido bem aceita, e o antigo reino Monera foi substituído pelos reinos Eubacteria e Archaea.[2] Estes dois grupos podem ainda ser tratados como sub-reinos, mas a maioria dos novos esquemas taxonômicos tendem a a tratar Bacteria ("Eubacteria") e Archaea como domínios e/ou reinos distintos.

Reino Animal

Reino Animal
Informações sobre o reino animal, características principais, crescimento, reprodução, doenças,
curiosidades, habitat, anfíbios, crustáceos, protozoários, anelídeos, biologia, ciência animal


Baleia Azul: maior animal do planeta

O reino animal é formado por seres que se caracterizam pela significativa sensibilidade e mobilidade. Envolve os seres heterotróficos e aeróbicos desprovidos de celulose e clorofila. Suas principais características: possuem um ativo metabolismo, organização centralizada, meio interno constante, sistema de excreção, crescimento diferencial e diferenciação de camadas no desenvolvimento dos embriões.
dividido em dois reinos: Protozoários (animais unicelulares) e Metazoários (animais com várias células).

Os Protozoários podem se reproduzir (exemplo: amebas) por simples divisão ou podem apresentar ciclo reprodutivo como os esporozoários. Sendo os animais mais simples os que possuem apenas uma célula (unicelulares), supõe-se que estes tenham derivado todos os outros. Esta grande divisão possui inúmeros representantes vivendo em habitat diversos, podendo viver isoladamente ou em colônias (grupos organizados) que geralmente se multiplicam por bipartição. Alguns protozoários causam doenças graves ao homem e a outros animais.

Os Metazoários compreendem os animais constituídos de grande número de células. Esse grupo é muito complexo, indo desde as esponjas até os animais superiores, que desenvolveram órgãos, aparelhos e sistemas altamente especializados (circulatório, excretor, digestório, nervoso, muscular etc).

Biólogos calculam em 1.300.000 o número de espécies animais, sendo que dentro de uma mesma espécie há diferenças entre raças, macho e fêmea e adultos e larvas. Existem aproximadamente 32.000 protozoários; 3.000 espongiários; 9.000 celenterados (corais, medusas, etc); 7.000 vermes de corpo chato, 3.000 de corpo roliço; 4.800 equinodermos (ouriços do mar, estrelas do mar, etc); 40.000 moluscos (caramujos, ostras, etc); 6.000 anelídeos (minhocas, sanguessugas, etc); 25.000 crustáceos (camarões, escorpiões, etc); 8.000 artrópodes (lacraias, piolhos-de-cobra, etc), 660.000 insetos (baratas, formigas, gafanhotos, etc); 15.000 peixes, 1.900 anfíbios (sapos, rãs, etc); 4.000 répteis (jacarés, cobras, tartarugas, etc); 25.000 aves e 15.000 mamíferos.

Curiosidade: O maior animal vivo é a baleia azul que atinge 30 metros de comprimento.

Onça Pintada

http://www.achetudoeregiao.com.br/ANIMAIS/gif_animal/onca_pintada.jpgA onça-pintada (Panthera onca), também conhecida por jaguar ou jaguaretê, é um mamífero da ordem dos carnívoros, membro da família dos felídeos, encontrada nas regiões quentes e temperadas do continente americano. É um símbolo da fauna brasileira. Os vocábulos "jaguar" e "jaguaretê" têm origem no termo guarani "jaguarete". Na mitologia maia, apesar ter sido cotada como um animal sagrado, era caçada em cerimônias de iniciação dos homens como guerreiros.

parência

A onça-pintada se parece muito, à primeira vista, com o leopardo. Um exame mais detalhado mostra, contudo, que sua padronagem de pêlo apresenta diferenças significativas. Enquanto o leopardo apresenta rosetas menores mas em maior quantidade, as manchas da onça são mais dispersas e desenham uma roseta maior, algumas delas com pontos pretos no meio. O interior dessas manchas é de um dourado/amarelo mais escuro que o restante da pelagem. Existem também alguns indivíduos melânicos, as chamadas onças-pretas. Elas não pertencem a uma outra espécie, e suas manchas ainda são facilmente reconhecíveis na pelagem escura; trata-se apenas de uma mutação genética na qual os indivíduos produzem mais melanina do que o normal, o que provoca um maior escurecimento da pelagem desses animais.

A cabeça da onça é proporcionalmente maior em relação ao corpo. Um exemplar adulto alcança até 2,10 m de comprimento, chegando a pesar em torno de 115 kg, embora, em média, os machos pesem 90 kg e as fêmeas 75 kg. A altura da cernelha é de aproximadamente 70 cm, sendo o maior felino das Américas.

A onça pintada é o maior mamífero carnívoro do Brasil, e necessita de pelo menos 2 kg de alimento por dia, o que determina a ocupação de um território de 25 a 80 km² por indivíduo a fim de possibilitar capturar uma grande variedade de presas.

A onça seleciona naturalmente as presas mais fáceis de serem abatidas, em geral indivíduos inexperientes, doentes ou mais velhos, o que pode resultar como benefício para a própria população de presas.

Na época reprodutiva, as onças perdem um pouco os seus hábitos individualistas e o casal demonstra certo apego, chegando inclusive a haver cooperação na caça. Normalmente, o macho separa-se da fêmea antes dos filhotes nascerem. Em geral, após cem dias de gestação nascem, no interior de uma toca, dois filhotes - inicialmente com os olhos fechados. Ao final de duas semanas abrem os olhos e só depois de dois meses saem da toca. Quando atingem de 1,5 a 2 anos, separam-se da reprodutora, tornando-se sexualmente maduros e podendo assim se reproduzirem.

Apesar de serem tão temidas, fogem da presença humana e mesmo nas histórias mais antigas, são raros os casos de ataque ao homem. Como necessita de um amplo território para sobreviver, pode "invadir" fazendas em busca de animais domésticos, despertando, assim, a ira dos fazendeiros que a matam sem piedade. Por esse motivo, e sobretudo pela rápida redução de seu habitat, esse felídeo, naturalmente raro, ainda encontra-se a beira da extinção no Brasil.


Alimentação

A Onça-Pintada é o único felino que é capaz de perfurar o casco de uma tartaruga.

A onça-pintada é uma excelente caçadora. As patas curtas não lhe permitem longas corridas, porém lhe proporcionam grande força, fundamental para dominar animais possantes como antas, capivaras, queixadas, tamanduás e até mesmo jacarés. Ocasionalmente esses felinos atacam e devoram grandes serpentes (jibóias e sucuris), quando a fome aperta e não encontram outra presa. Na Venezuela foram registrados casos de onças a devorar sucuris adultas. Enquanto os outros grandes felinos matam suas vítimas, mordendo-as no pescoço, a onça o faz atacando-as diretamente na cervical, graças a suas mandíbulas poderosas, as mais fortes de todos os felinos e a segunda mais forte entre os carnívoros terrestres. Esses felinos frequentemente matam animais como a capivara e pequenos macacos mordendo lhes o crânio, sendo o único felino a fazer isto. A mordida de uma onça pode facilmente atravessar o casco de uma tartaruga. Apesar disso, a onça não se furta em comer pequenos animais se a chance lhe aparece.

Reprodução

As onças-pintadas são solitárias e só buscam a companhia de um par durante a época de acasalamento. A gestação dura em média 100 dias e até quatro filhotes podem ser gerados.

Os machos atingem a maturidade sexual em torno dos três anos, e as fêmeas, com dois anos. Em cativeiro, as onças vivem até 20 anos; já a expectativa de vida para as onças selvagens cai pela metade.

Na época reprodutiva, as onças perdem um pouco os seus hábitos individualistas e o casal demonstra certo apego, chegando inclusive a haver cooperação na caça. Normalmente, o macho separa-se da fêmea antes dos filhotes nascerem. Em geral nascem, no interior de uma toca, dois filhotes - inicialmente com os olhos fechados. Ao final de duas semanas abrem os olhos e só depois de dois meses saem da toca. Quando atingem de 1,5 a 2 anos, separam-se da reprodutora, tornando-se sexualmente maduros e podendo assim se reproduzirem.

Lince Vermelho

http://illinois.sierraclub.org/shawnee/images/tunnel_hill/lynx_rufus1.jpg

Leopardus

http://digimorph.org/specimens/Leopardus_pardalis/leopardus.jpgLeopardus é um género de mamíferos carnívoros da família Felidae que inclui três espécies diferentes: a jaguatirica (Leopardus pardalis), o gato-do-mato (Leopardus tigrinus) e o gato-maracajá (Leopardus wiedii).

As três espécies apresentam manchas ou riscas escuras sobre fundo amarelado e possuem um tamanho cerca de duas vezes o de um gato doméstico. Todos os membros deste género habitam em áreas florestais da América do Sul e Central, ainda que no caso do ocelote, a área dedistribuição se prolongue mais a norte, seguindo as áreas costeiras do México até ao sul dos Estados Unidos da América.

O nome do género foi escolhido por causa da semelhança dos seus membros com o leopardo, no que diz respeito à cor e padrão da pelagem. Não obstante, convém recordar que o leopardo pertence a outro género (Panthera) e outra subfamília (Pantherinae).